quinta-feira, 30 de julho de 2009

Charla de Domador


Charla de Domador
Gateado e mouro, pangaré e lobuno
Tordilho e baio me criei domando
Qualquer é bueno quando tem comando
Ninguém é mestre se não tem aluno
Quem doma sabe aprendeu com o potro
Maestro rude desta lida braba
Só existe um jeito de evitar a baba
Em lua nova não se enfrena potro
Bocal e rédeas maneador carona a cincha o basto e o
pelego branco
O jeito lindo de alargar o tranco e anca macia pra
levar a dona
Domar e ciência mas precisa raça garrão de touro pra
enfrentar a lida
Nesta carpeta onde se joga a vida não vendem fichas
para jogar de graça
Buçal cabresto tirador chilena
Sinchão de pardo e o garrão borraio
Um mango feio pra surrar cruzado
E uma de canha pra espantar as penas
O brabo mesmo até parece farra
Pro andarengo tu nem sabe quanto
Depois de tudo envelhecer domando
Sem ter um flete pra soltar as garras

Um Trago


"Um trago de canha,
os amigos de fé...
o pinho afinado,
tocando milongas
e algum chamamé,
com a alma gaúcha
e um sonho dos buenos
eu guardo a querência...
...a vida anda braba,
e só mete a cara
quem tem a vivência..."



Trecho de "Diário de um fronteiriço", de Érlon Péricles

terça-feira, 28 de julho de 2009

Depois da Lida


"Água nos lombos suados
e mais águas pras cambonas,
e o galpão se para quieto
pra escutar um campeiro
Depois da lida do dia,
de invernada e de rodeio,
sobra tempo pra um floreio
e um assobio milongueiro..."

Trecho de "Milongão pra assobiar desensilhando", de Gujo Teixeira

A geada


“Geada vestiu de noiva
os galhos da pitangueira...
Ainda caso com Rosa
caso ela queira ou não queira...

Pra domar o meu destino,
comprei um buçal de prata...
Nenhum pesar me derruba,
qualquer paixão me arrebata...”

Trecho de “Cordas de espinho”, de Luiz Coronel

Invernal


"Já nem sei porque é que Deus,
tanto ao herege e ao fiel
nos manda um frio tão cruel
- vento e neve em redoblona -
e a perna velha quebrada,
e esta costela emendada
se param mais delicadas
do que tecla de cordeona..."

Trecho de "Recuerdos de tapejara", de Aureliano de Figueiredo Pinto

Guri


“Se eu não voltar para ficar, contudo,
viverei poeteando esta saudade linda
que acalma a dor e aproximas os longes
mas, volta e meia, inverterei o rumo,
trançando estradas como um peregrino,
buscando imagens, gestos e paisagens
que amenizem o passar dos anos,
jogarei linhas de espera nos remansos,
irei à escola ver se alguém desfia
contos e contas como antigamente
e, ao retornar, terei certeza, enfim,
haver encontrado o guri que fui...”

Trecho de “Carta aberta ao guri que fui”, de Moises Silveira de Menezes

Entropilhando


“Chasqueiro é o overo picaço,
pra tropa e pra laço é “pareia” a tropilha,
só o baio tem trote socado,
quem sabe no arado ele ajude a tordilha?
Buenaço este pingo gateado,
garanto, enfrenado à moda campeira,
e o mouro, o zaino e o tordilho,
com força de milho não perdem carreira...”

Trecho de “Entregando a tropilha”, de Lisandro Amaral

Descanso dos arreios


Desencilhar - tempo novo-
é acordar primavera,
ressuscitar as taperas
quinchadas pela existência...
É despertar muita ausência
e andar sovando badana
numa milonga pampeana
-saber a voz da querência-...”

Trecho de “Milonga de tempo e vento”, de Lisandro Amaral

Solidão


“De repente, as coisas mais comuns me foram ausentes
e o sorriso que andava num retrato, desbotou...
De repente, as saudades que habitavam minha gente
me trouxeram lentamente ao lugar aonde estou...
Aqui na minha solidão,
sou dono do meu tempo
e ele é quem me faz pensar em mim...
Eu visito meus recuerdos e diviso as distâncias
e ainda busco meus limites mesmo assim...”

Trecho de “Na minha solidão”,de Gujo Teixeira

Caindo a Noite


“Quem ganha a boca da noite, jamais esquece
de haver sido um dos assombros que a noite tem,
talvez seja um destes vultos que assustam ranchos,
quem sabe um morcego a mais em asas de poncho,
alados mas prisioneiros que o sol não vêem...”

Trecho de “Passo da noite”, de Sérgio Carvalho Pereira

Desencilhados


"...Desencilhar - tempo novo-
é acordar primavera,
ressuscitar as taperas
quinchadas pela existência,
é despertar muita ausência,
e andar sovando badana
numa milonga pampeana
- saber a voz da querência..."

Trecho de "Milonga de tempo e vento", de Lisandro Amaral

Estradeando


"...Caminho como quem anda
na direção de si mesmo,
e, de tanto andar a esmo,
fui de uma a outra banda,
e se a inspiração me comanda,
da trilha logo me afasto
e até sementes de pasto
replanto pelas vermelhas
estradas velhas parelhas,
ao repisar no meu rastro..."

Trecho de "Eis o Homem", de Marco Aurélio Campos

O Gaúcho


“...Nasceu assim como o trevo
nas várzeas e nas canhadas
que, com vistas dilatadas,
contemplava com enlevo,
o nobre perfil longevo
do patriarca latino,
a impavidez do beduíno
na majestade da estampa
roubada de algum deus pampa
para o pantheon cisplatino...”

Trecho de “Legenda pampa – O homem”, de Jayme Caetano Braun

Lida Campeira


"...Vinha logo, chegando a recolhida
- cavalhada delgada para a lida
de rodeios, aparte e correria,
toda a gente andava num apuro,
mal enxergando em torno, pelo escuro,
mas radiante de força e de alegria...”

Trecho de “Estância velha”, de Nogueira Leiria

Por Do Sol


"...Fundo de campo,
foz de banhado,
passa um tajã...
Se estende o pago
até meus olhos
cruzarem o rio...
Parece até
que a tardezita
se espichou longe...
Que o horizonte
se encolheu todo,
tá por um fio..."

Trecho de "Fundo de campo", de Gujo Teixeira